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    notes As tantas aves pelo céu de Tombador

    Como já falamos algumas vezes por aqui, o Cerrado é um bioma que possui  biodiversidade riquíssima, com grande potencial hídrico e diferentes formações vegetais que abrigam espécies variadas de fauna e flora. De acordo com dados do governo brasileiro, a região possui mais de 800 espécies de aves registradas. É mole? Não por acaso, a Reserva Natural Serra do Tombador, unidade de conservação mantida pela Fundação em Goiás, abriga uma porção desses animais. Abaixo, alguns exemplos que flagramos no local:



    Essa possui um nome curioso: maria-faceira (Syrigma sibilatrix).  O nome científico vem do latim e significa ‘ave que assobia’. Trata-se de uma espécie inconfundível: é a única garça brasileira com esse padrão de coloração.


    Foto: Danilo João Tenfen / Acervo Fundação



    Entre os mais ‘assíduos habitantes’ de Serra do Tombador, essa ave deve ganhar disparado. Seu nome possui algumas variações de acordo com a região e é fácil confundi-lo por aí: existem várias espécies conhecidas como papa-capim e esse da foto é o papa-capim-de-costas-cinzas (Sporophila ardesiaca).


    Foto: Danilo João Tenfen/Acervo Fundação

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    notes A chama precisa apagar


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    O segundo maior bioma do Brasil, menor apenas que a Amazônia, está em estado de alerta. Segundo o monitoramento periódico realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dos 73 mil focos de incêndios registrados até agosto deste ano no Brasil, 60% ocorreram em áreas de Cerrado. Além dos impactos diretos para a biodiversidade, é importante lembrarmos que a região abriga cerca de 20 milhões de pessoas que dependem diretamente dos serviços ambientais prestados pelas áreas naturais nativas do bioma.


    As queimadas são um dos principais problemas enfrentados pela biodiversidade do Cerrado. A princípio, por falta de informação, podemos pensar que se trata de um problema que atinge exclusivamente o meio ambiente. Na verdade não é: diminuição da qualidade do ar, o que provoca doenças respiratórias; queda de fornecimento de energia elétrica e perdas em propriedades rurais são alguns dos impactos diretos na vida das pessoas. Definitivamente, não é pouca coisa. Mas a pergunta que não quer calar é: como combater?


    A Reserva Natural Serra do Tombador, que possui cerca de 9 mil hectares e é mantida pela Fundação Grupo Boticário em Goiás, possui conhecimento de causa: em 2011, 60% de sua área total foi atingida por um grande incêndio na região. No Cerrado, incidentes desse porte acontecem com certa frequência no auge do período de seca, que ocorre entre agosto e outubro.


    Na Reserva, uma das estratégias que adotamos para combater o fogo foi incluir a participação popular e a conscientização da comunidade do entorno: em 2012, criamos uma brigada comunitária voluntária para combater os incêndios de modo mais efetivo. Os brigadistas receberam treinamento apropriado e também equipamentos para o combate. Além de proteger a Reserva Natural Serra do Tombador, o envolvimento da comunidade local na Brigada também contribui para a proteção das propriedades rurais do entorno. O Cerrado, sua biodiversidade e a qualidade de vida da população agradecem.



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    Leia mais sobre o caso de Serra do Tombador nos links abaixo:

    http://goo.gl/SHoV0r

    http://goo.gl/b4SlwA

    http://goo.gl/5PP2YG


    Fotos: Daniele Gidsicki/Acervo Fundação

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    notes Três formas de rastrear animais em trilhas

    Tentar avistar animais em trilhas exige certa dedicação e conhecimento. Você já tentou? Abaixo, separamos algumas dicas para a sua próxima caminhada na natureza:


    1. Examine as pegadas


    Claro que se é a sua primeira vez, você não vai reconhecer logo de cara de qual animal é uma determinada pegada. No entanto, fotografe e use para referências futuras! É importante nos atentarmos a detalhes como o tamanho, o número de dedos, se existe um dedo opositor e comparar as pegadas das dianteiras com as traseiras. Aos poucos, você saberá de cor que uma irara (Eira barbara) possui cinco digitais e um gato-mourisco (Puma yagouaroundi) apenas quatro.


    2. Examine o padrão do rastro e outros vestígios


    Dependendo do padrão do rastro, ficará mais fácil de identificar o caminho seguido e qual é a espécie. Por exemplo: felinos, caninos e animais com casco costumam caminhar sempre na diagonal. Determinados vestígios também indicam a presença recente de animais: fique atento a frutos comidos e folhas rasgadas que estejam na trilha, pois podem indicar que  macacos ou aves maiores passaram por ali.


    3. Faça silêncio e use os seus sentidos


    Os animais podem sentir de longe a presença humana. Por isso, o silêncio é essencial se você quiser flagrar alguma espécie dentro da floresta. Além disso, use todos os seus sentidos: fique atento aos cheiros, pois alguns indivíduos, como os catetos (Tayassu tajacu), ao se sentirem alarmados emitem forte odor. E por último: observe. Esteja atento para cada detalhe, faça anotações e use-as de referências para as próximas trilhas! Lembre-se que há animais em todos os estrados da floresta, desde o chão até a copa das árvores mais altas.



    A foto acima foi tirada na Reserva Natural Salto Morato e retrata uma pegada fresca de um puma (Puma concolor)



    Foto: Acervo Fundação / Allan Cândido


    Aproveite, mas com segurança


    É importante lembrarmos que é preciso ser cuidadoso ao entrar em uma área natural nativa. Ao sair para uma caminhada, é essencial avisar seus contatos sobre seus horários de saída e retorno, levar água suficiente e lembrar que você não deve mexer com a fauna silvestre. Talvez não seja preciso falar, mas ainda assim vamos reforçar: respeite os animais e não retire nada da áreas naturais.

  • Salto Morato não é Hollywood, mas é quase

    Caro leitor, você vai achar que o autor deste texto provavelmente estava delirando no momento em que escreveu esse título. Mas não, veja bem. Por mais que pareça improvável, é possível traçar alguns pontos de semelhança entre a Reserva Natural Salto Morato, no litoral do Paraná, e a famosa capital mundial do entretenimento, nos Estados Unidos. Agora, leitor, muito provavelmente você ainda deve estar se perguntando: “Tá bom. Mas como?!”. Salto Morato não é Hollywood, mas é quase - e nós vamos te provar.


    Para começar, repare na sequência de imagens abaixo:



    Reparou? Agora substitua, mentalmente, o nome de grandes artistas como Michael Jackson, Marylin Monroe, Bruce Lee e Charlie Chaplin por mão-pelada (Procyon cancrivorus), irara (Eira barbara), puma (Puma concolor) e macuco (Tinamus solitarius). A segunda série de indivíduos pode até ser um tanto mais anônima se compararmos à primeira, mas de forma alguma menos importante. Primeira evidência: Salto Morato tem a sua própria calçada da fama (animal).


    Agora, dê só uma olhada na imagem abaixo:



    Viu bem? Um letreiro, certo? Onde fica um dos letreiros mais famosos do mundo? Isso mesmo. Segunda evidência: ainda que menor se comparado em tamanho com o de Hollywood, Salto Morato também tem o seu próprio letreiro. Tá anotando aí? Talvez agora, a chamada desse texto esteja fazendo mais sentido.


    Bem, brincadeiras à parte, a nossa réplica de calçada da fama é uma homenagem às espécies típicas que habitam a reserva - um jeito de deixar sempre em evidência a importância delas para a conservação do meio ambiente; já a placa de identificação, o nosso singelo letreiro, além de decorativo, serve para situar as várias pessoas que passam diariamente pelo local e também é um ótimo local para fotos. São muitas estrelas em nosso cantinho de Mata Atlântica preservado, não é? Assim como você, nosso visitante! <3


    Fotos: Acervo Fundação / Allan Cândido

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    notes O caso do sabiá

    Imagine a cena: você está em um cômodo trabalhando tranquilamente. De repente, começa a ouvir sons emitidos por pássaros. Até então, tudo normal, afinal seu escritório fica no meio de um espaço de Mata Atlântica preservada. Alguns minutos se passam e você começa a ouvir o barulho cada vez mais perto. Eis que você olha para o lado e tcharam: uma das aves que você está acostumado a avistar voando pela floresta está, agora, no mesmo ambiente que você! A história é verídica e aconteceu com o colaborador Jesiel Cunha Martins, enquanto trabalhava na sala da administração da Reserva Natural Salto Morato.


    A ave em questão é o pequeno e esperto sabiá-laranjeira, de nome científico Turdus rufiventris. Inclusive, até ninho esse espertinho anda fazendo pelo local (veja aqui: http://goo.gl/h9mvjA).


    Como podemos perceber nas fotos, o bichinho carrega um tom de ferrugem na maior parte de seu pequeno corpo. Sua beleza e popularidade fez com que fosse citado em uma série de poemas e músicas – como, por exemplo, “A Majestade, o Sabiá”, famosa na voz da cantora paraibana Roberta Miranda. Ah, essa história protagonizada pelo Jesiel e pelo sabiá teve um final feliz e tanto: o animal foi resgatado da sala e devolvido à floresta! Vejam as fotos dos bastidores desse belo momento abaixo:


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    “O que eu fiz de errado?”


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    “Eu só queria dizer um olá!”


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    “Me desculpa, moço?”


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    “Tá bom, vai, estou voltando pra floresta!”


    Fotos: Jesiel Cunha Martins/Acervo Fundação

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    notes Conheça o lagarto papa-vento

    Diversas espécies de lagartos aparecem com frequência a Reserva Natural Salto Morato, no litoral do Paraná. Se você der um passeio pelas trilhas do local poderá encontrar facilmente uma simpática espécie chamada papa-vento (Enyalius iheringii)rastejando pelo local.


    Com ocorrência no bioma Mata Atlântica, entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, o papa-vento adora se deliciar comendo artrópodes, como grilos, besouros e formigas. Na maior parte do tempo, seus hábitos são diurnos – daí a facilidade em encontrá-la. Por outro lado, está sempre camuflado na vegetação, então é preciso estar bem atento para avistá-lo.


    A peculiaridade fica por conta de seu dicromatismo sexual – em outras palavras, machos e fêmeas possuem diferentes cores. Comumente, os machos adultos possuem coloração esverdeada, que tende a escurecer à medida que se aproxima da cauda; já as fêmeas possuem padrão variado, mesclando tons que vão do bege ao preto, passando pelo marrom. Por conta dessa característica, eles vivem em árvores, galhos e folhas; enquanto elas habitam a serapilheira, isto é, os restos vegetais que cobrem o chão da floresta.

    No período de reprodução, os machos descem até o chão para encontrar com sua parceira que, após esse romântico encontro, coloca seus ovos no solo do ambiente, garantindo a vinda dos filhotes no final da estação chuvosa. 




    Fotos e colaboração: Manuela Santos Pereira

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    notes Salto Morato vira centro de reuniões sobre birdwatching


    Não existe tempo ruim para as aves que voam nos céus de Salto Morato. Faça chuva, faça sol, por lá qualquer um que erga a cabeça e mire seus olhos para as alturas terá uma nova oportunidade de avistar um desses animais batendo suas asas contra o vento. Não por acaso, o lugar virou palco para eventos de birdwatching – termo usado para a prática de observação de aves – e em 2013 foi lançado o “Guia do Observador de Aves – Reserva Natural Salto Morato”, livro que contempla 100 das 324 espécies já registradas por lá (saiba mais clicando: http://goo.gl/RZHmj7).


    Araponga (Procnias nudicolli), exemplo de ave que canta e bate as asas na reserva


    Recentemente, os 2.253 hectares de Mata Atlântica conservados pela Fundação abrigaram mais um evento: a 1ª reunião da  Sociedade para a Conservação de Aves do Brasil (SAVE) para a prospecção de pessoas que se interessam pela arte de observar esses animaizinhos voando. Tatiana Pongiluppi,  integrante da equipe da SAVE e Cláudia Oliveira, do Centro de Estudos Ornitológicos (CEO), apresentaram o projeto ’Monitoramento Participativo das Aves Brasileiras como Ferramentas para a Conservação’.


    O projeto é um esforço para conscientizar as pessoas sobre como elas podem ajudar na conservação do meio ambiente ao praticarem o birdwatching. Depois de se popularizar em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, aos poucos a prática vem se desenvolvendo no Brasil, país que possui grande diversidade de espécies de aves.


    A proposta do projeto é a participação da população numa coleta em grande nível de registros de aves, o que é crucial para o conhecimento das aves brasileiras e, por consequência, ajudará também em sua conservação. Com o auxílio de um protocolo padronizado, os dados enviados pelas pessoas alimentam um banco de dados chamado eBird, uma super plataforma de registros desses animais. Quer ver o que já tem de registro sobre Salto Morato, olha só: http://goo.gl/r75Qp3. Mais novidades deverão chegar em breve aqui no Direto da Reserva - pegue seu binóculo e fique ligado. ;)



    Fotos: Tatiana Pongiluppi, Zig Koch e Alan Ayres

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    notes Boa noite, Salto Morato

    Você sabe que quanto mais conservado o ambiente, maior a probabilidade de o céu estar limpo. E que quanto mais o céu estiver limpo, maior a probabilidade de vermos as estrelas durante a noite. Certo? Pois no final de julho deste ano, em uma noite fria de inverno, se você olhasse para cima estando em qualquer parte da Reserva Natural Salto Morato, tudo o que você veria era um painel gigantesco e escuro, cheio de astros brilhando por todos os cantos. Embora seja algo comum por lá, ainda assim sempre surpreende.


    Vale lembrar que nas cidades, por conta da poluição visual das luzes e também da fumaça de carros e indústrias, o céu nem sempre é tão escuro assim. À noite, é comum que se torne alaranjado e com nuvens de poluição que demoram a se dissipar e acabam cobrindo as estrelas. Em áreas naturais bem preservadas, a visualização é garantida se não estiver nublado! ;)


    Os colaboradores da Reserva Natural Salto Morato já cansaram (sqn!) de ver esse céu lindo. E você: quando vai fazer uma visita pra gente e ‘contar estrelas’ de perto? =)


    Os dois registros abaixo foram feitos às 21h. Vejam:


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    Neste segundo, feito poucos minutos depois, conseguimos enxergar o que parece ser a passagem de uma estrela cadente, bem ao canto superior direito da foto:


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    Fotos: Carlos Verginio

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    notes Comum, mas nem tanto

    O Cerrado tem mais de 800 espécies aves registradas, de acordo com dados do governo brasileiro. Com tanta biodiversidade assim, tem de todos os tipos e para todos os gostos: o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), o jaó (Crypturellus undulatus), o pavãozinho-do-Pará (Eurypyga helias) e uma série de outras gracinhas vivem nobioma. Lá na Reserva Natural Serra do Tombador, nossa unidade de conservação no Cerrado de Goiás, temos a sorte de ter sempre a presença de uma em especial: a jandaia-verdadeira. Ou, como a ciência a nomeia, a Aratinga jandaya.


    Você a conhece? São cerca de 130 gramas distribuídos em 30 centímetros de comprimento. Embora tenha ocorrência em vários estados do Brasil – leste do Pará, Roraima, Maranhão, leste do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Piauí, Tocantins e nordeste de Goiás – não se trata de uma ave fácil de ser avistada voando por aí. Além disso, uma coisa é fato: pode ser bem difícil identificá-la. Há no Brasil outras duas jandaias: a jandaia-amarela (Aratinga solstitialis), que faz jus ao seu nome em sua coloração e a jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus), que não por acaso possui uma mancha avermelhada acima do bico. Já a nossa amiguinha, bonita que só, mistura características das duas. Olhem as fotos feitas na Reserva:



    Fotos: André Ferretti/Acervo Fundação

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    notes Pedalando para Salto Morato

    Nos dias 7 e 8 de agosto, alunos de Oceanografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) participaram de uma saída de campo como atividade da disciplina ‘Turismo e Natureza’. O objetivo era realizar uma ‘Avaliação Turística Rápida’, como eles chamam, na estrada que liga Antonina a Guaraqueçaba, município que abriga a Reserva Natural Salto Morato, no litoral paranaense. Dois detalhes: a viagem até a Reserva foi feita de bike e a maior parte da estrada é de terra! Aventura garantida!


    Todo o esforço da equipe vai ter uma recompensa à altura: os dados obtidos serão utilizados na estruturação de um roteiro cicloturístico e contribuirão com o desenvolvimento do turismo na região. Além disso, o trabalho dos estudantes servirá para divulgar as viagens de bicicleta no litoral paranaense, como uma forma adicional para conhecer a bela região. Lá em Salto Morato, eles ficaram hospedados no camping da Reserva e a galera ainda fez uma caminhada pelas trilhas interpretativas do Salto e da Figueira.  Olha só o pessoal posando para uma foto na entrada da Reserva:


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    Foto: Alan Ayres/Acervo Fundação