• A interação das espécies


    Você consegue descobrir qual é a ave camuflada em meio à vegetação aí na foto acima? Nós te contamos! Esse é o Ramphastos vitellinus ariel e talvez você o conheça pelo seu nome, digamos, menos formal: tucano-de-bico-preto. Provavelmente varado de fome, o indivíduo pousou no galho dessa palmeira-juçara para se alimentar dos frutos. Enquanto isso, a pesquisadora Jaqueline dos Santos, que atualmente estuda a ecologia dessa espécie de palmeira, aproveitou para flagrar o comilão em plena hora do lanche – que não se incomodou nem um pouco e continuou o que parecia ser uma atividade quase sagrada.


    A pesquisa da Jaqueline contempla a avaliação de processos ecológicos em torno da espécie de árvore em questão - principalmente a polinização, a dispersão de sementes e a caracterização genética. A preservação da palmeira-juçara está diretamente ligada com a manutenção do meio ambiente, uma vez que não é só esse esperto tucano o único a se alimentar de seus frutos. Para monitorar essa bela interação entre a fauna e a flora, a Reserva Natural Salto Morato, no Paraná, é o lugar perfeito. Adivinha só onde foi feita a imagem que ilustra esse texto?


    Foto e colaboração: Jaqueline dos Santos

  • Águas do Cerrado

    Sabe aquela sensação de quando a chuva acaba e o calor vem ainda mais forte? Nas terras do Cerrado isso é algo já inserido no cotidiano daqueles que habitam o lugar. Chove, mas também faz um calor danado. Mas como a natureza é mais sábia do que qualquer ciência moderna, para tudo se dá um jeito. Quem já visitou a região da savana brasileira sabe que nas altas temperaturas que predominam no bioma, tomar um banho de cachoeira é um alívio e tanto. E de cachoeiras o Cerrado entende. Quer ver só? Confira abaixo a foto clicada na Reserva Natural Serra do Tombador, nossa unidade de conservação em Goiás: 


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    Esta é a Cachoeira do Rio Conceição, que tem água em duas temperaturas diferentes, sendo uma parte bem gelada e outra mais quentinha.


    Na verdade, em todas as formações do Cerrado, a beleza é intrigante. Além disso, por sua vasta imensidão (trata-se do segundo maior bioma do Brasil), o Cerrado esconde segredos ainda inexplorados dentro de suas cavernas e estruturas rochosas. No início de 2013, nossos olhos tiveram uma ótima surpresa. Na porção nordeste de Serra do Tombador, encontramos essa belezinha retratada na foto abaixo:


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    Essa é uma piscina natural intermitente – isto é, só se mantém cheia em períodos chuvosos – e fica a oito quilômetros de distância da sede da Reserva. A tonalidade cristalina deve-se à alta qualidade da água, filtrada por pedras e muito provavelmente pela presença de alguns minerais. Adivinha como batizamos o lugar? Poço Azul. :)


    Fotos: José Paiva e Acervo Fundação

  • Serpente para todos os lados

    Primeiramente, se você é daqueles que tem pavor de serpentes ou cobras, temos um conselho: não se assuste com o título deste texto. Estamos falando de serpentes em seus ambientes naturais: neste caso, a Reserva Natural Serra do Tombador, em Goiás – e muitas delas não oferecem risco às pessoas, pois não são venenosas. É verdade que aprendemos desde cedo, por conta da nossa cultura, a temer e a se afastar desses animais compridos, ágeis e esguios. Porém, eles têm características muito bacanas. Como lá no Cerrado existe um montão de serpentes, abaixo separamos alguns exemplos encontrados em Serra do Tombador:


    Essa é a boipeva (Xenadon merremii). Embora seja uma serpente arredia e que se movimenta em velocidade impressionante, trata-se de uma espécie inofensiva – quando apresenta algum comportamento violento, é porque se sentiu ameaçada. A serpente é especializada em mandar goela abaixo espécies de sapos (veja: http://goo.gl/eLsB1o).


    Foto: Danilo João Tenfen



    Mestre do disfarce, cosplay da natureza ou simplesmente uma serpente profissional na arte de confundir. Esses poderiam ser, tranquilamente, alguns apelidos para a falsa-coral (Oxyrhopus trigeminus). Através da sua coloração muito semelhante à da sua irmã peçonhenta, a cobra-coral (Micrurus corallinus), essa espertinha acaba por afastar suas possíveis presas. Na verdade, essa espécie é bastante dócil e não oferece maiores perigos. Malandra, né?


    Foto: Arthur Bauer



    A terceira e última serpente que apresentamos é outra espécie ‘pegadinha’ do meio ambiente. Aliás, se você bateu o olho na foto e achou que era um galho ou um cipó, não se engane: é uma serpente. A Oxybelis aeneus,conhecida popularmente como cobra-cipó, não ganhou esse nome por acaso: como vocês podem ver (ou não), ela é profissionalizada em camuflagem.


    Foto: Gilson Berberino

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    notes As tantas aves pelo céu de Tombador

    Como já falamos algumas vezes por aqui, o Cerrado é um bioma que possui  biodiversidade riquíssima, com grande potencial hídrico e diferentes formações vegetais que abrigam espécies variadas de fauna e flora. De acordo com dados do governo brasileiro, a região possui mais de 800 espécies de aves registradas. É mole? Não por acaso, a Reserva Natural Serra do Tombador, unidade de conservação mantida pela Fundação em Goiás, abriga uma porção desses animais. Abaixo, alguns exemplos que flagramos no local:



    Essa possui um nome curioso: maria-faceira (Syrigma sibilatrix).  O nome científico vem do latim e significa ‘ave que assobia’. Trata-se de uma espécie inconfundível: é a única garça brasileira com esse padrão de coloração.


    Foto: Danilo João Tenfen / Acervo Fundação



    Entre os mais ‘assíduos habitantes’ de Serra do Tombador, essa ave deve ganhar disparado. Seu nome possui algumas variações de acordo com a região e é fácil confundi-lo por aí: existem várias espécies conhecidas como papa-capim e esse da foto é o papa-capim-de-costas-cinzas (Sporophila ardesiaca).


    Foto: Danilo João Tenfen/Acervo Fundação

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    notes A chama precisa apagar


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    O segundo maior bioma do Brasil, menor apenas que a Amazônia, está em estado de alerta. Segundo o monitoramento periódico realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dos 73 mil focos de incêndios registrados até agosto deste ano no Brasil, 60% ocorreram em áreas de Cerrado. Além dos impactos diretos para a biodiversidade, é importante lembrarmos que a região abriga cerca de 20 milhões de pessoas que dependem diretamente dos serviços ambientais prestados pelas áreas naturais nativas do bioma.


    As queimadas são um dos principais problemas enfrentados pela biodiversidade do Cerrado. A princípio, por falta de informação, podemos pensar que se trata de um problema que atinge exclusivamente o meio ambiente. Na verdade não é: diminuição da qualidade do ar, o que provoca doenças respiratórias; queda de fornecimento de energia elétrica e perdas em propriedades rurais são alguns dos impactos diretos na vida das pessoas. Definitivamente, não é pouca coisa. Mas a pergunta que não quer calar é: como combater?


    A Reserva Natural Serra do Tombador, que possui cerca de 9 mil hectares e é mantida pela Fundação Grupo Boticário em Goiás, possui conhecimento de causa: em 2011, 60% de sua área total foi atingida por um grande incêndio na região. No Cerrado, incidentes desse porte acontecem com certa frequência no auge do período de seca, que ocorre entre agosto e outubro.


    Na Reserva, uma das estratégias que adotamos para combater o fogo foi incluir a participação popular e a conscientização da comunidade do entorno: em 2012, criamos uma brigada comunitária voluntária para combater os incêndios de modo mais efetivo. Os brigadistas receberam treinamento apropriado e também equipamentos para o combate. Além de proteger a Reserva Natural Serra do Tombador, o envolvimento da comunidade local na Brigada também contribui para a proteção das propriedades rurais do entorno. O Cerrado, sua biodiversidade e a qualidade de vida da população agradecem.



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    Leia mais sobre o caso de Serra do Tombador nos links abaixo:

    http://goo.gl/SHoV0r

    http://goo.gl/b4SlwA

    http://goo.gl/5PP2YG


    Fotos: Daniele Gidsicki/Acervo Fundação

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    notes Três formas de rastrear animais em trilhas

    Tentar avistar animais em trilhas exige certa dedicação e conhecimento. Você já tentou? Abaixo, separamos algumas dicas para a sua próxima caminhada na natureza:


    1. Examine as pegadas


    Claro que se é a sua primeira vez, você não vai reconhecer logo de cara de qual animal é uma determinada pegada. No entanto, fotografe e use para referências futuras! É importante nos atentarmos a detalhes como o tamanho, o número de dedos, se existe um dedo opositor e comparar as pegadas das dianteiras com as traseiras. Aos poucos, você saberá de cor que uma irara (Eira barbara) possui cinco digitais e um gato-mourisco (Puma yagouaroundi) apenas quatro.


    2. Examine o padrão do rastro e outros vestígios


    Dependendo do padrão do rastro, ficará mais fácil de identificar o caminho seguido e qual é a espécie. Por exemplo: felinos, caninos e animais com casco costumam caminhar sempre na diagonal. Determinados vestígios também indicam a presença recente de animais: fique atento a frutos comidos e folhas rasgadas que estejam na trilha, pois podem indicar que  macacos ou aves maiores passaram por ali.


    3. Faça silêncio e use os seus sentidos


    Os animais podem sentir de longe a presença humana. Por isso, o silêncio é essencial se você quiser flagrar alguma espécie dentro da floresta. Além disso, use todos os seus sentidos: fique atento aos cheiros, pois alguns indivíduos, como os catetos (Tayassu tajacu), ao se sentirem alarmados emitem forte odor. E por último: observe. Esteja atento para cada detalhe, faça anotações e use-as de referências para as próximas trilhas! Lembre-se que há animais em todos os estrados da floresta, desde o chão até a copa das árvores mais altas.



    A foto acima foi tirada na Reserva Natural Salto Morato e retrata uma pegada fresca de um puma (Puma concolor)



    Foto: Acervo Fundação / Allan Cândido


    Aproveite, mas com segurança


    É importante lembrarmos que é preciso ser cuidadoso ao entrar em uma área natural nativa. Ao sair para uma caminhada, é essencial avisar seus contatos sobre seus horários de saída e retorno, levar água suficiente e lembrar que você não deve mexer com a fauna silvestre. Talvez não seja preciso falar, mas ainda assim vamos reforçar: respeite os animais e não retire nada da áreas naturais.

  • Salto Morato não é Hollywood, mas é quase

    Caro leitor, você vai achar que o autor deste texto provavelmente estava delirando no momento em que escreveu esse título. Mas não, veja bem. Por mais que pareça improvável, é possível traçar alguns pontos de semelhança entre a Reserva Natural Salto Morato, no litoral do Paraná, e a famosa capital mundial do entretenimento, nos Estados Unidos. Agora, leitor, muito provavelmente você ainda deve estar se perguntando: “Tá bom. Mas como?!”. Salto Morato não é Hollywood, mas é quase - e nós vamos te provar.


    Para começar, repare na sequência de imagens abaixo:



    Reparou? Agora substitua, mentalmente, o nome de grandes artistas como Michael Jackson, Marylin Monroe, Bruce Lee e Charlie Chaplin por mão-pelada (Procyon cancrivorus), irara (Eira barbara), puma (Puma concolor) e macuco (Tinamus solitarius). A segunda série de indivíduos pode até ser um tanto mais anônima se compararmos à primeira, mas de forma alguma menos importante. Primeira evidência: Salto Morato tem a sua própria calçada da fama (animal).


    Agora, dê só uma olhada na imagem abaixo:



    Viu bem? Um letreiro, certo? Onde fica um dos letreiros mais famosos do mundo? Isso mesmo. Segunda evidência: ainda que menor se comparado em tamanho com o de Hollywood, Salto Morato também tem o seu próprio letreiro. Tá anotando aí? Talvez agora, a chamada desse texto esteja fazendo mais sentido.


    Bem, brincadeiras à parte, a nossa réplica de calçada da fama é uma homenagem às espécies típicas que habitam a reserva - um jeito de deixar sempre em evidência a importância delas para a conservação do meio ambiente; já a placa de identificação, o nosso singelo letreiro, além de decorativo, serve para situar as várias pessoas que passam diariamente pelo local e também é um ótimo local para fotos. São muitas estrelas em nosso cantinho de Mata Atlântica preservado, não é? Assim como você, nosso visitante! <3


    Fotos: Acervo Fundação / Allan Cândido

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    notes O caso do sabiá

    Imagine a cena: você está em um cômodo trabalhando tranquilamente. De repente, começa a ouvir sons emitidos por pássaros. Até então, tudo normal, afinal seu escritório fica no meio de um espaço de Mata Atlântica preservada. Alguns minutos se passam e você começa a ouvir o barulho cada vez mais perto. Eis que você olha para o lado e tcharam: uma das aves que você está acostumado a avistar voando pela floresta está, agora, no mesmo ambiente que você! A história é verídica e aconteceu com o colaborador Jesiel Cunha Martins, enquanto trabalhava na sala da administração da Reserva Natural Salto Morato.


    A ave em questão é o pequeno e esperto sabiá-laranjeira, de nome científico Turdus rufiventris. Inclusive, até ninho esse espertinho anda fazendo pelo local (veja aqui: http://goo.gl/h9mvjA).


    Como podemos perceber nas fotos, o bichinho carrega um tom de ferrugem na maior parte de seu pequeno corpo. Sua beleza e popularidade fez com que fosse citado em uma série de poemas e músicas – como, por exemplo, “A Majestade, o Sabiá”, famosa na voz da cantora paraibana Roberta Miranda. Ah, essa história protagonizada pelo Jesiel e pelo sabiá teve um final feliz e tanto: o animal foi resgatado da sala e devolvido à floresta! Vejam as fotos dos bastidores desse belo momento abaixo:


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    “O que eu fiz de errado?”


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    “Eu só queria dizer um olá!”


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    “Me desculpa, moço?”


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    “Tá bom, vai, estou voltando pra floresta!”


    Fotos: Jesiel Cunha Martins/Acervo Fundação

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    notes Conheça o lagarto papa-vento

    Diversas espécies de lagartos aparecem com frequência a Reserva Natural Salto Morato, no litoral do Paraná. Se você der um passeio pelas trilhas do local poderá encontrar facilmente uma simpática espécie chamada papa-vento (Enyalius iheringii)rastejando pelo local.


    Com ocorrência no bioma Mata Atlântica, entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, o papa-vento adora se deliciar comendo artrópodes, como grilos, besouros e formigas. Na maior parte do tempo, seus hábitos são diurnos – daí a facilidade em encontrá-la. Por outro lado, está sempre camuflado na vegetação, então é preciso estar bem atento para avistá-lo.


    A peculiaridade fica por conta de seu dicromatismo sexual – em outras palavras, machos e fêmeas possuem diferentes cores. Comumente, os machos adultos possuem coloração esverdeada, que tende a escurecer à medida que se aproxima da cauda; já as fêmeas possuem padrão variado, mesclando tons que vão do bege ao preto, passando pelo marrom. Por conta dessa característica, eles vivem em árvores, galhos e folhas; enquanto elas habitam a serapilheira, isto é, os restos vegetais que cobrem o chão da floresta.

    No período de reprodução, os machos descem até o chão para encontrar com sua parceira que, após esse romântico encontro, coloca seus ovos no solo do ambiente, garantindo a vinda dos filhotes no final da estação chuvosa. 




    Fotos e colaboração: Manuela Santos Pereira

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    notes Salto Morato vira centro de reuniões sobre birdwatching


    Não existe tempo ruim para as aves que voam nos céus de Salto Morato. Faça chuva, faça sol, por lá qualquer um que erga a cabeça e mire seus olhos para as alturas terá uma nova oportunidade de avistar um desses animais batendo suas asas contra o vento. Não por acaso, o lugar virou palco para eventos de birdwatching – termo usado para a prática de observação de aves – e em 2013 foi lançado o “Guia do Observador de Aves – Reserva Natural Salto Morato”, livro que contempla 100 das 324 espécies já registradas por lá (saiba mais clicando: http://goo.gl/RZHmj7).


    Araponga (Procnias nudicolli), exemplo de ave que canta e bate as asas na reserva


    Recentemente, os 2.253 hectares de Mata Atlântica conservados pela Fundação abrigaram mais um evento: a 1ª reunião da  Sociedade para a Conservação de Aves do Brasil (SAVE) para a prospecção de pessoas que se interessam pela arte de observar esses animaizinhos voando. Tatiana Pongiluppi,  integrante da equipe da SAVE e Cláudia Oliveira, do Centro de Estudos Ornitológicos (CEO), apresentaram o projeto ’Monitoramento Participativo das Aves Brasileiras como Ferramentas para a Conservação’.


    O projeto é um esforço para conscientizar as pessoas sobre como elas podem ajudar na conservação do meio ambiente ao praticarem o birdwatching. Depois de se popularizar em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, aos poucos a prática vem se desenvolvendo no Brasil, país que possui grande diversidade de espécies de aves.


    A proposta do projeto é a participação da população numa coleta em grande nível de registros de aves, o que é crucial para o conhecimento das aves brasileiras e, por consequência, ajudará também em sua conservação. Com o auxílio de um protocolo padronizado, os dados enviados pelas pessoas alimentam um banco de dados chamado eBird, uma super plataforma de registros desses animais. Quer ver o que já tem de registro sobre Salto Morato, olha só: http://goo.gl/r75Qp3. Mais novidades deverão chegar em breve aqui no Direto da Reserva - pegue seu binóculo e fique ligado. ;)



    Fotos: Tatiana Pongiluppi, Zig Koch e Alan Ayres