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    notes

    O urubu é uma ave com “má fama” no Brasil por questões culturais. Ela é de extrema importância à natureza por ser necrófaga, ou seja, alimenta-se de animais já mortos. Apenas ocasionalmente alimenta-se de insetos, larvas e pequenos vertebrados. É por meio do seu alimento que consegue a maior parte da água que consome.

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    Apesar da grande semelhança, os urubus não são aparentados com os abutres, que ocorrem no Velho Mundo (Europa, África e Ásia), mas ocupam nichos ecológicos semelhantes. Essa situação leva o nome de convergência evolutiva, quando animais de grupos distintos desenvolvem formas/anatomias semelhantes por causa das adaptações que sofrem ao longo da evolução das espécies.

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    No Brasil existem 5 espécies diferentes de urubus. Algumas delas ocorrem apenas em matas fechadas, como é o caso do Urubu-rei (Sarcoramphus papa) e urubu-da-mata (Cathartes melambrotos). Já o urubu-da-cabeça-vermelha (Cathartes aura) é uma espécie que ocorre em praticamente todo o continente americano e, inclusive, já foi registrado nas duas Reservas da Fundação Grupo Boticário – Salto Morato e Serra do Tombador.

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    Da família Cathartidae, a mesma dos condores, esta grande ave também possui uma elevada expectativa de vida, chegando facilmente aos 30 anos. Dono de longas asas que chegam a 1,80m de envergadura e aproveitam até mesmo da menor brisa para voar, às vezes ficando a poucos metros do chão.  Dificilmente batem as asas e, quando o fazem, é apenas para dar inicio ao vôo.

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    Também não cantam, pois não possuem a siringe, órgão responsável pela vocalização das aves. No lugar do canto, fazem grunhidos estranhos chamados de crocitações, que você pode ouvir aqui.

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    O urubu-de-cabeça-vermelha e o urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) são as espécies com o olfato mais desenvolvido, detectando cheiro de animais mortos a grandes distâncias e geralmente chegando primeiro no alimento. Por esta razão, os demais urubus normalmente seguem essa espécie.

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    A cabeça sem penas é um fator vantajoso para esta ave. Isso pode ser explicado devido ao fato de se alimentarem de carniça, e essas penas poderiam ser um ponto de contaminação ao entrarem em contato com a carcaça.

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    Outro fato pouco conhecido sobre os urubus, é que existe uma clara organização na hora da alimentação. Esta “hierarquia” pode ser vista na maneira como as outras espécies de urubus se afastam da carcaça com a chegada do urubu-rei (de porte maior, mais avantajado), que tem a bicada mais forte, tendo maior facilidade em rasgar a pele grossa de animais mortos, facilitando a alimentação dos demais urubus.

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    Foto: Rafael Bessa

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