• Há algum tempo a Casa de Hóspedes e a Administração da Reserva Natural Salto Morato foram palco de um grande mistério, digno dos casos de Sherlock Holmes. Durante algum tempo, esses locais passaram a receber visitas misteriosas, que chegavam sem serem notadas, remexiam as salas e partiam tão imperceptíveis quanto chegavam.

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    Após diversas análises dos rastros deixados por esses misteriosos visitantes, como restos de presas e até algumas fezes, finalmente desvendamos o mistério: as visitas eram feitas por exemplares da espécie Tonatia bidens, também conhecidos como morcegos-de-orelhas-redondas.

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    Únicos mamíferos capazes de voar, os morcegos representam um quarto de todas as espécies de mamíferos do mundo. Pertencentes à ordem Chiroptera, eles se dividem em  mais de 1.100 espécies; só no Brasil ocorrem cerca de 160 delas. Dessas, mais de 30 já foram identificadas em Salto Morato.

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    Sua dieta alimentar foi a principal “pista” para desvendarmos o mistério. Os morcegos comem frutos, sementes, folhas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados, peixes, dentre outros. Assim, até a aparente “sujeira” deixada por eles na Reserva com seus restos de comida, foram úteis para gerar dados científicos.

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    Um exemplo disso é a própria espécie Tonatia bidens, que há poucos anos era conhecida apenas nas regiões sudeste e nordeste do Brasil e que hoje sabe-se que também é um habitante da região sul do país, inclusive fazendo estadia na Reserva Natural Salto Morato.

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    Sabe-se pouco sobre a origem dos morcegos, já que seus esqueletos pequenos e delicados não fossilizam bem. A maioria dos morcegos possui um sexto sentido, aliado aos cinco a que nós humanos estamos acostumados: a ecolocalização, ou seja, orientação por ecos.

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    Esse sentido funciona basicamente da seguinte maneira: o morcego emite ondas ultrassônicas pelas narinas ou pela boca, dependendo da espécie. Essas ondas atingem obstáculos no ambiente e voltam na forma de ecos que são percebidos pelo morcego. Com base no tempo em que os ecos demoraram a voltar, nas direções de onde vieram, e em sua frequência relativa, os morcegos sentem se há obstáculos no caminho, assim como suas distâncias, formas e velocidades relativas.

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    Esse sentido é especialmente útil para caçar insetos voadores, mas também para se comunicar com outros indivíduos da mesma espécie.

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    A expectativa de vida do morcego vai de quatro a trinta anos, variando muito conforme a espécie. De maneira geral, há poucos animais capazes de caçar um morcego. No Brasil, eles estão protegidos pela Lei de Proteção à Fauna. Perseguí-los, matá-los ou caçá-los é considerado crime.

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    Créditos fotos: Marcelo Rubio