
Para quem trabalha em uma Reserva Natural, são diversas as maneiras de registrar a ocorrência de uma espécie animal. Para isso é preciso muita atenção aos detalhes, pois cada vestígio fornece uma indicação: pegadas, restos de presas ou até mesmo fezes, como neste que vemos na foto abaixo, feito por um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) que passou pela Reserva Natural Serra do Tombador.

Encontrado em áreas de cerrado e florestas úmidas, o tamanduá possui pelagem cinza-acastanhada, com tons brancos e pretos, além de focinho alongado e fino. Sua cauda é bem característica e, por se assemelhar a uma bandeira, fez com que esse animal fosse chamado popularmente de tamanduá-bandeira.
Uma curiosidade interessante sobre essa espécie é que quando dorme, o tamanduá-bandeira cobre-se com sua cauda, auxiliando na camuflagem e na manutenção de sua temperatura corpórea.
As grandes garras dianteiras são sua principal arma de defesa e ferramenta de trabalho. Isso porque é com elas que o tamanduá consegue destruir cupinzeiros e formigueiros para se alimentar.
O tamanduá-bandeira é da ordem dos Edentata, que quer dizer “sem dentes”. Para compensar essa ausência, sua língua longa e pegajosa, graças à presença de glândulas salivares bem desenvolvidas, é capaz de atingir até 60 centímetros fora da boca e recolher esses pequenos invertebrados. O esforço vale a pena: ele chega a comer até 30 mil formigas por dia!
Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), essa espécie possui o status VU, ou seja, encontra-se em ameaça de extinção. A destruição de habitats para dar lugar a pastagens, somada a incêndios, caça ilegal e atropelamentos rodoviários são as principais causas que contribuem para o desaparecimento da espécie.
Foto: Marcello Borges de Oliveira

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O Cerrado, que ocupa um quarto do território nacional, é reconhecido como a savana mais rica em vida do planeta. Mas, além disso, também é berço de algumas espécies consideradas raras e exclusivas desse bioma, como é o caso da flor-de-pau, (Wunderlichia cruelsiana). Nas fotos abaixo, podemos ver uma flor da espécie na Reserva Natural Serra do Tombador.


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O exemplar pertence à família das asteráceas, composta por mais de 50.000 espécies, que estão divididas em 900 gêneros. Entre os representantes mais conhecidos da família, estão o absinto (Artemisia absinthium), a alface (Lactuca sativa), o girassol (Helianthus annus), o crisântemo (Chrysanthemum sp.) e a margarida (Bellis perenis).
A Reserva Natural Serra do Tombador contribui com a conservação dessa e de outras espécies sob possível ameaça de extinção. O cuidado que a Reserva possui com a biodiversidade garante que, tanto raridades quanto espécies comuns, tenham a chance de crescer e se desenvolver em um ambiente propício e protegido.
Fotos: Marcello Borges de Oliveira

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Uma das maiores riquezas do Brasil é o Cerrado, formação vegetal composta por um mosaico de diferentes tipos de savanas. Uma delas recebe o nome de Campo Sujo, que tem como característica a presença de arbustos e subarbustos espaçados em meio à vegetação herbácea de campos.
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O nome é uma referência a essa característica, pois se tem a impressão de que a vegetação de maior porte “suja” o visual uniforme dos campos, que parecem um mar calmo e verdejante na paisagem. Por se tratar de uma das formas típicas do Cerrado com dinâmica ainda pouco conhecida, a Reserva Natural Serra do Tombador está abrigando pesquisas a respeito do Campo Sujo em parte do seu espaço.
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Imagem da fase de campo da pesquisa realizada por Alessandra Fidelis, professora da UNESP, e pela doutoranda Mariana Rissi. Participam ainda do projeto as pesquisadoras Elizabeth Gorgone e Talita Zupo.
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A pesquisa tem o objetivo de conhecer os efeitos do fogo sobre a vegetação de Campo Sujo. Lembram do fogo botado, que já foi tema de um post aqui no Direto da Reserva sobre os prejuízos que causa à fauna e à flora?
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Pois então, o estudo vai fornecer informações sobre o efeito do fogo em diferentes épocas, para que possamos entender o processo de regeneração desses campos. As informações levantadas vão ser utilizadas na Reserva, e em outras áreas de cerrado, para que possamos proteger e manejar o que resta desse bioma de altíssima e peculiar biodiversidade.
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Foto: Elizabeth Gorgone

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A partir de outubro inicia-se a temporada de chuvas na região da Reserva Natural Serra do Tombador, o que traz um grande alívio para a equipe da reserva, depois de uma temporada de seca em que aumenta dia a dia o risco de incêndios. Na época seca, os incêndios são causados pela ação humana, em especial por proprietários rurais que para renovar suas pastagens ateiam fogo à vegetação. É o chamado o fogo ‘botado’ - expressão usada na região para o fogo criado por ação humana, que adentra a reserva pelas propriedades vizinhas, comprometendo a fauna e flora.
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Os fogos naturais ocorrem na época das chuvas por incidência de raios; geralmente não causam prejuízos à biodiversidade, pois os raios precedem as chuvas, que apagam os pequenos focos de incêndios que surgem. Este fogo não costuma se propagar, pois tanto o solo como a vegetação estão molhados.
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Em 2011, a equipe da Serra do Tombador teve que combater vários ‘fogos botados’, e contou com a ajuda da brigada de voluntários de Cavalcante nesta tarefa. Graças ao esforço de todos, foi possível evitar danos maiores e, principalmente, evitar que o fogo se alastrasse por toda a reserva.
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Agora, é alegrar-se pela chuva que já cai quase que intermitentemente, trazendo cores e vida ao Cerrado!
Fotos: Marcello Borges de Oliveira

Tanto as equipes da Reserva Natural Salto Morato como nada Serra do Tombador, foram capacitadas no último trimestre de 2011 em condução de veículos 4x4.
Esses veículos são importantes ferramentas de trabalho nas reservas, pois permitem o deslocamento nas áreas de mais difícil acesso. Além disso, ajudam no deslocamento interno, como é o caso da Reserva Natural Serra do Tombador, que com seus cerca de 9000 hectares conta com cerca de 20 km de extensão no seu eixo mais longo, trajeto difícil de ser feito a pé ou com um carro comum.
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Saber conduzir corretamente um veículo a tração é questão de segurança para a própria equipe das reservas. A Fundação Grupo Boticário tem a preocupação de capacitar regularmente suas equipes nas Reservas, e não apenas sobre direção segura, mas também nos mais variados temas que envolvem a segurança, como por exemplo, com o curso de resgate e primeiros socorros que já foi assunto aqui no Direto da Reserva.
Fotos: Marcello Borges de Oliveira

O fura-barreira (Hylocryptus rectirostris) é uma das espécies mais raras do cerrado. Para conseguir vê-lo, só com uma boa dose de sorte!
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Na foto podemos vê-lo escondido entre as folhas. Ela foi tirada na região da Reserva Natural Serra do Tombador durante os levantamentos da Avaliação Ecológica Rápida, estudo realizado para fornecer subsídios à elaboração do Plano de Manejo da Reserva.
Membro da família Furnariidae, esta espécie habita a vegetação ribeirinha, no solo ou a pouca altura. Além disso, empoleira-se com frequência em galhos verticais, e desce ao solo à procura de presas, solitário ou aos pares. Como possui uma plumagem em tom ferrugíneo e íris amarelada, consegue se camuflar muito bem e, assim, fugir de seus eventuais predadores.
Comparada a outras espécies do gênero Automolus, o fura-barreira é considerado grande com seus 21 cm de comprimento. O mais interessante é o modo como essa espécie nidifica, ou seja, constrói seus ninhos. Eles buscam espaços em barrancos de rios protegidos pelas matas ciliares onde possa furar e construir o ninho.
Conhecido também como barranqueiro-de-bico-reto, fura-barreira, limpa-folha-de-bico-reto, sua distribuição geográfica é bem restrita, concentrando-se às matas de galeria do Planalto Central do Brasil, nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.
A destruição do seu habitat tem colaborado para o “sumiço” da espécie em algumas regiões, constando, inclusive, na lista de espécies ameaçadas do estado de São Paulo, por exemplo.
Foto: Rafael Bessa

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Além de abelhas, borboletas e pássaros como Beija-Flor, existe outro animalzinho que também assume a função de polinizador: o Lonchophylla dekeyseri, mais conhecido popularmente como morcego-do-cerrado. Apesar de pequeno, este mamífero voador é de extrema importância para o habitat, pois é o responsável pela polinização de várias espécies arbóreas, como unha-de-vaca, embiriçu e jatobá.
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No Cerrado brasileiro, essas plantas geralmente florescem no período de seca, entre os meses de maio a setembro. É também nesse período que costumam nascer os filhotes do morcego-do-cerrado. A fêmea fica grávida por um período de até três meses e os bebês morcegos mamam por dois meses. Depois disso, alimentam-se como os adultos: do néctar das flores, pólen, frutos e insetos.
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O Lonchophylla dekeyseri possui pelos marrom-avermelhados e o ventre mais claro. Para ajudá-lo na coleta de néctar, ele possui alguns truques bem legais, como seu focinho longo com a língua comprida cheia de tufos na ponta que o ajuda a lamber o alimento depositado no fundo das flores. Além disso, na hora de sugar o néctar, ele bate as asas para ficar parado em pleno vôo em frente à flor, igualzinho ao beija-flor.
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O morcego-do-cerrado é um mamífero genuinamente brasileiro e, como o seu nome já denuncia, é uma espécie de morcego endêmica do bioma cerrado, ou seja, só é encontrada nessa área. Na Reserva Natural Serra do Tombador foi avistado na mata ciliar da cachoeira e próximo à sede da Reserva.
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O que poucos sabem é que este pequeno morcego está ameaçado de extinção, principalmente devido ao desmatamento. Sua moradia são cavernas, onde formam pequenas colônias.
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Foto: Acervo Fundação Grupo Boticário


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Com apenas água, sol e terra, um vegetal é capaz de produzir seu próprio alimento. Isso é verdade para quase todos, mas algumas espécies de aparência exótica também precisam comer “carne”. As plantas carnívoras por muitos séculos eram apresentadas como monstros terríveis, capazes até de matar pessoas. Claro que isso não passava de fantasia, os únicos seres vivos de quem elas se alimentam são insetos, aranhas e, em alguns raros casos, pássaros pequeninos!
As plantas carnívoras, também chamadas de plantas insetívoras, retiram dos animais devorados substâncias essenciais para sua sobrevivência, em especial o nitrogênio. Sem ele, um vegetal não consegue fazer a clorofila.
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Por causa de sua alimentação diferente, as plantas carnívoras ficam livres da dependência por solos ricos em nitratos, que são os compostos geralmente absorvidos pelos vegetais. Assim, elas prosperam onde outras plantas não conseguem, como no cerrado, em desertos, restingas e outros hábitats com solos pobres em nutrientes.
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A espécie da foto acima é uma Drosera montana, típica das Veredas, uma formação vegetal do Cerrado que ocorre também na Reserva Natural Serra do Tombador. Como seu nome científico já identifica, ela pertence a um gênero de plantas que ocorre no mundo inteiro, conhecido por Drosera.
As Droseras possuem folhas dispostas em forma de roseta, cobertas por pelos glandulares coloridos, que produzem uma substância pegajosa em forma de pequenas gotículas chamada de mucilagem. Estas gotículas atraem insetos com seu brilho, que ao pousarem, ficam colados nas folhas. Após perceber que sua presa está irremediavelmente grudada, a planta, imediatamente, começa a secretar suas enzimas e digerir o bichinho.
Fotos: Acervo Fundação Grupo Boticário

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Aquele coelho branquinho, de nariz rosado e orelhas compridas, só na Europa. O que salta em nossas matas é pardo, tem orelhas finas e curtas e um nome bem diferente: Tapiti (Sylvilagus brasiliensis). De origem tupi-guarani, seu nome quer dizer “pêlo branco na barriga”.
Morador de matas e florestas, o tapiti é o único representante brasileiro da família dos coelhos e lebres, conhecida como Leporidae. Também chamado de coelho-brasileiro, coelho-do-mato e candimba, é um animal de hábitos noturnos e que possui uma característica no mínimo curiosa: dorme de olhos abertos.
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Durante o dia se esconde em buracos ou tocas que ele mesmo cava. Ali tem seus filhotes, que nascem sem pelos, de olhos fechados e totalmente dependentes. A cada gestação, a mamãe tapiti tem, em geral, de dois a sete filhotes e, para eles, prepara um ninho macio, feito com vegetação e com o seu próprio pelo.
Ao se sentir ameaçado, usa suas patas traseiras grandes e adaptadas ao salto, desse modo conseguem correr com bastante velocidade e agilidade, sendo este o seu meio de defesa contra predadores como o gavião-de-penacho, a águia-cinzenta, a onça-parda, o lobo-guará, entre outros.
Apesar de ser parente do coelho e da lebre européia (Lepus europaeus), não é um roedor, como os ratos e preás. Alimenta-se de folhas, raízes, frutos, cascas, brotos e talos de diversas plantas. Para darem conta de tantos alimentos, nascem com dentes que crescem por toda a sua vida, que pode chegar a até 12 anos.
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Fotos: Luciano Leone

Para muitas pessoas, não há canto que se compare em beleza e melodia ao canto do sabiá. Mas o que poucos sabem é que sabiá não é “um só”, são muitos! Só no Brasil existem mais de 15 espécies distintas e o dono de um dos cantos mais famosos da natureza é o sabiá-pardo (Turdus leucomelas). E como canta bonito! Se quiser ouvi-lo cantar, clique aqui.
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Talvez a fama de seu canto venha do fato de que esse pássaro só cante na primavera, época em que acasala. Nos outros meses, emite vocalizações de alerta, especialmente ao anoitecer quando disputam com outras aves os melhores lugares nos poleiros para passar a noite. Outro fator que colabora para a sua fama é que esta é uma espécie muito comum no país, especialmente em regiões de cerrado como é o caso da Reserva Natural Serra do Tombador.
Grisalhinho na cabeça, o sabiá-branco tem este nome numa alusão à cor de sua plumagem nesta área do corpo. Além disso, a parte interna das asas possuem uma cor alaranjada intensa e sua garganta é esbranquiçada, com estrias pardas pouco contrastantes.
Também chamado de sabiá-barranqueira, capoeirão, sabiá-de-cabeça-cinza, sabiá-fogueteiro, sabiá-pardo ou ainda sabiá-barranco, não passa de 22 centímetros de comprimento. E apesar de seu pequeno tamanho, é bastante corajoso e chega a dominar outras espécies de sabias, sem falar em aves como os anus-pretos e os bem-te-vis, que ficam de olho nos seus ninhos.
Como os demais de sua espécie gostam de ciscar com o bico no chão. Fazem isso atrás de frutos carnosos e insetos no solo. Costumam capturar também cupins alados em revoadas.
Fotos: Rafael Bessa